segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Quando a luta eleitoral serve à farsa eleitoral.


Por Gas-PA

O ano em que completei 16 anos coincidiu com a primeira eleição presidencial do país desde a década de 1960. A mística em torno desse evento foi enorme. Jovens da minha faixa etária votariam pela primeira vez, tanto quanto seus pais, pra escolher um presidente. Não vacilei em correr pro TRE e tirar o meu título para exercer o ato mais cidadão daquele momento. Depois de 20 anos de uma ditadura empresarial-militar, em fim a democracia. Meus candidatos de primeiro e segundo turno foram derrotados pelo candidato da grande burguesia. Precisei de mais três eleições para, enfim, ver ganhar o meu candidato desde o segundo turno da eleição de 1989.

Desde que o Brasil se tornou uma república a presidência passou pelas mãos dos militares, oligarquia leiteira, oligarquia cafeeira, pelos populistas, voltou pras mãos dos milicos, de coroné, de play boy lutador de arte marcial, teve sociólogo… mas, nada de trabalhador. Um operário, de um partido de trabalhadores, era o que nos faltava. Então, a partir de 2002 era nós no poder. Assim eu pensava!
Corrupção, privatização; socorro financeiro à empresas (que, socorridas, demitiam trabalhadores); envio de tropas pro Haiti pra reprimir as revoltas populares; reforma na previdência, com altíssimo ônus pros trabalhadores; precarização do trabalho; pagamento da dívida de 15 bi com o FMI; repressão sem precedentes às rádios e TVs comunitárias; eLula se vangloriando de ter sido o governo no qual a burguesia mais lucrou na história desse país. E um agravante, se compararmos com governos anteriores: capitulação dos movimentos sindical e popular. Acende um sinal de alerta na minha consciência política. Porém, a ingenuidade de um militante que se forjava nas lutas populares ainda tinha espaço pra mais uma experiência triste com um certo parlamentar. Começava a enxergar, ainda de forma muito embaçada que, pra muito além da discussão de quem exerce o mandato, o problema maior estava nos limites e armadilhas da via eleitoral pra nossa luta socialista.
A partir daí, com toda limitação do meu pouco acúmulo teórico, passei a dar minhas contribuições para o debate. Em 2010 publiquei o texto Luta negra x Institucionalidade.Ruas x Urnas. Ainda sob fortíssima influência da estratégia democrática popular, o texto procura mostrar o quanto foi nociva a democracia da classe dominante pra luta do povo preto no Brasil, além de chamar pra luta nas ruas, e para o abandono crítico à via eleitoral. Ainda no mesmo ano nós do Coletivo de Hip Hop Lutarmada divulgamos na internet nosso texto intitulado Lutarmada Hip Hop e as eleições, que amplia o leque de interlocutores pro debate.
2014, ano de eleição e, é lógico, o debate volta à tona. No dia 14 de maio, o blog da editora Boitempo publica o texto Farsa eleitoral ou luta eleitoral: a prioridade das ruas e a disputa nas urnas, de Mauro Iasi, no qual eu sou citado. Mauro, minha maior referência naeducação popular, membro do comitê central do PCB e candidato a presidente nas próximas eleições, fez a sua defesa da participação da esquerda no processo eleitoral, sem negar a prioridade das lutas das ruas. Para isso ele cita também passagens de obras de autores como Marx & Engels, Gramsci, Rosa e Che, além de polemizar com Ivo Tonet.
Lenin escreveu, em 1920, o famoso Esquerdismo. Doença infantil do comunismo. Talvez a base teórica mais acionada para a discussão desse tema. Sem dúvida uma contribuição ao debate, mas que vem servindo de escudo pra reformista, oportunista e pelego de toda espécie, que tem o título do livro na ponta da língua pra disparar contra o “oponente”, ainda que ele mesmo não tenha lido. Na obra o autor também defende a via eleitoral como um importante passo tático na luta revolucionária. Mas tem seus “poréns”.
Combinando bem as lutas das massas com as eleições, o Partido Bolchevique dirigiu a luta da classe trabalhadora ao poder na Rússia, em 1917. No ano seguinte abre-se um processo revolucionário na Alemanha, que, ao contrário da Rússia de 17, era um país já adiantado na sua industrialização. Lá a luta proletária era dirigida pelo Partido Social-democrata. Surgido em 1869 sob orientação socialista, pode-se dizer que foi em 1875 no congresso de Gotha que o Partido Social-democrata Alemão passa ao reformismo, traduzido num programa que mereceu atenção especial de Marx, como pode ser lido no seu texto Crítica ao programa de Ghota. Essa guinada ao reformismo, que tem nas figuras de Karl Kautsky e Eduardo Bernstein seus principais expoentes, leva o Partido à cisões importantes, que são origem de outras cisões. Até que em 1919 nasce o Partido Comunista dos Trabalhadores Alemães. Esse partido condenava tanto a participação em parlamentos burgueses quanto em “sindicatos reformistas”. E foi inspirado nessa gente que Lenin escreve o Esquerdismo.
O II Congresso da Internacional Comunista, no mesmo 1920, aprova as teses de Lenin e Bukarin (com introdução de Trotsky) que insistiam na importância de os comunistas participarem de eleições parlamentares. Porém, o documento intitulado O Partido Comunista e o parlamentarismo, é bem explícito no que diz:
“Por outro lado, admitir por princípio a ação parlamentar revolucionária não implica de modo algum que se participe efetivamente em todos os casos nas eleições e em determinadas assembleias parlamentares. Isso depende de uma série de condições específicas”.
E quais seriam algumas dessas condições?
“Esta ação parlamentar que consiste, essencialmente, em utilizar a tribuna parlamentar para fazer a agitação revolucionária, para denunciar as manobras do adversário, para agrupar em torno de certas ideias as massas prisioneiras de ilusões democráticas e que, sobretudo nos países atrasados, voltam ainda os seus olhares para a tribuna parlamentar, esta ação deve estar totalmente subordinada aos objetivos e às tarefas da luta extra-parlamentar das massas”.
Então, se a defesa da nossa participação nas eleições parlamentares no Esquerdismo se refere a um contexto com tempo e espaço bem definido (Alemanha, nos idos de 1920), esse ponto – de um documento que vem, de ponta a ponta, salientando a relevância tática da via eleitoral – dá pistas de que essa tática não pode ser apartada de certos critérios.
Se “esta ação parlamentar” deve servir para “utilizar a tribuna parlamentar para fazer a agitação revolucionária, para denunciar as manobras do adversário, para agrupar em torno de certas ideias as massas prisioneiras de ilusões democráticas”, que sentido faz adotar essa via num país que passa por um período em que as massas não voltam “os seus olhares para a tribuna”?

No Brasil, até agora, as massas são intimadas a votar de dois em dois anos, sob pena de multa e outras sanções a quem não cumpra com sua obrigação eleitoral. Revogue-se a imposição legal do voto que se explicitará com maior nitidez a repulsa que as massas têm do processo eleitoral desse quadro institucional. Vão até as massas e perguntem em quais parlamentares cada um votou nas últimas três eleições. Pergunte quais os compromissos de campanha dos parlamentares que por acaso forem lembrados e, acima de tudo, pergunte quem acompanha o dia-a-dia do mandato dos seus parlamentares eleitos, suas ações e suas falas “nas tribunas”.
As lutas de junho do ano passado são bem emblemáticas. Partidos de esquerda, unidos a movimentos populares, unificaram suas pautas na construção de atos que se agigantaram pra muito além das expectativas mais otimistas. Os atos começaram numa luta contra o aumento das passagens dos ônibus, mobilizando, quase que exclusivamente, militantes desses partidos e movimentos. Mas é justamente quando as massas aderem ao movimento, que a aversão delas aos partidos se manifesta em maior volume. Essasmassas (em nome das quais, e não com as quais lutam esses partidos) tanto não dão ouvidos e olhos ao que acontece nos parlamentos e na política institucional que não souberam distinguir os partidos que atuam contra seus interesses e vivem envolvidos em escândalos, dos que ali estavam organizando os atos públicos, nos quais elas participavam. Mesmo pautando demandas que eram unânimes – como saúde e educação e, o estopim, a redução das tarifas do transporte coletivo, acompanhada de melhoria na qualidade dos serviços prestados – militantes desses partidos eram obrigados a baixarem suas bandeiras ou se retirarem das passeatas, em alguns casos até debaixo de porrada, como mostrava alegre e exaustivamente os telejornais (no intuito de evitar tamanha desmoralização, houve uma tentativa de atribuir aos fascistas esses ataques, mas quem esteve nos atos conhece bem a verdade). Os partidos de esquerda só aparecem diante dos olhos das massas nos períodos eleitorais e junto com os de direita (já manchados, estes, pela infindável sequência de casos de corrupção). Há quem diga que no período eleitoral as massas estão mais abertas ao debate político, coisa que qualquer um que viva o cotidiano das massas, que, acima de tudo, seja parte das massas, sabe que não é verdade. O debate promovido pelo período eleitoral que chega até as massas é aquele filtrado no telejornal que tem entre uma novela e outra. E nesse filtro não passa o discurso dos nossos companheiros. O horário reservado para a propaganda dos partidos é aquele momento em que desligam-se os rádios e que as famílias dispersam da frente da TV. Se tivéssemos numa conjuntura onde as massas voltassem “seus olhares para a tribuna”, como consta nas teses dos camaradas bolcheviques, os partidos de esquerda não passariam pelo que passaram nas manifestações que eles mesmos chamaram, e nunca teríamos ouvido falar em um pequeno movimento que se formou nas eleições de 2012 em Porto Alegre, chamando voto no candidato (de direita) primeiro colocado nas pesquisas, para se evitar os transtornos impostos por um possível segundo turno.
Cabe ainda discutir se a ação dos parlamentares eleitos pelos partidos de esquerda estão de fato “totalmente subordinada aos objetivos e às tarefas da luta extra-parlamentar das massas” e se eles estão se colocando “à cabeça das massas proletárias, na primeira fila, bem à vista, nas manifestações”, como orienta o mesmo documento.
O Partido Social-democrata Alemão, nascido marxista, se rendeu ao reformismo e nele foi submergindo cada vez mais com o passar do tempo. Não ouso condicionar uma coisa a outra, mas me chama atenção o fato de seu recuo político ter seguido os passos de seus sucessos eleitorais, tal qual aconteceu no caso do PT. Caminho muito parecido percorreu o Partido dos Trabalhadores. Após sentir o gosto das primeiras conquistas de espaço no Estado burguês – não só no legislativo, como sugere os dois textos, mas, também no executivo – a tática eleitoral no PT ganha peso de estratégia. A elegibilidade vai aos poucos legitimando qualquer tipo de compromisso. Desde os melhores tempos do Partido Social-democrata Alemão, passando pelo PT e chegando aos partidos de esquerda já se aliando com a centro-direita, como PCdoB, e a clássica direita, como o DEM, até mesmo recebendo financiamento de empreiteira. Essa tendência a priorizar as lutas das urnas em detrimento das lutas das ruas também se evidencia na escolha dos candidatos. Ainda me atendo ao documento da Internacional Comunista:
“Em geral, os candidatos serão escolhidos entre os operários (…)
Os comitês centrais só devem aprovar as candidaturas de homens que durante longos anos tenham dado provas indiscutíveis de sua abnegação pela classe operária”.(grifo meu)
Ao invés disso, a escolha, que é restrita aos militantes dos respectivos partidos, as vezes contempla candidatos progressistas (e não socialistas) sem o menor acúmulo de lutas, mas com certo apelo em alguns setores da sociedade por gozar de alguma popularidade (devida, em alguns casos, a uma certa inserção na mídia burguesa por se tratar de alguma personalidade do mundo do entretenimento). É a eleição com fim nela mesma. Agora repare dentre os partidos marxistas e leninistas que disputam eleição, se o mais bem sucedido nas urnas não seria o que tem uma prática mais aproximada da social-democracia e do PT, e mais distanciada do marxismo e leninismo. A impressão que fica, pelo menos pra mim, é que a adesão à via eleitoral, assim, indiscriminada e descriteriosa, traz uma forte tendência à degeneração.
Assim como para o outro personagem do texto de Mauro Iasi, o Ivo Tonet, para mim o voto nulo não é um princípio. Só não vejo porque, numa conjuntura onde não temos forças para organizar trabalhadores na luta contra o patrão, dispor de boa parte dessa pouca força pra luta eleitoral. Ainda mais sob o pretexto de usar, tanto o período eleitoral quanto as tribunas parlamentares, para agitar e fazer propaganda revolucionária, pra uma classe trabalhadora totalmente avessa às discussões políticas promovidas nesses momentos e nesses espaços. A propaganda mais eficaz que nossos companheiros conseguem fazer, disputando eleições nessa conjuntura, é a que legitima um processo viciado que contribui enormemente pra fortalecer a hegemonia burguesa.
Esse texto foi uma necessidade que senti de qualificar minha posição pelo voto nulo, que aparece despolitizada no texto de Mauro Iasi. Sei que a responsabilidade é toda minha, por ter me colocado de maneira bizarra nos últimos tempos, via Face Book, me utilizando das formas mais rebaixadas que essa via permite. Mas, como não estou aqui pra apurar responsabilidades, espero que tenha conseguido contribuir mais para essa importante discussão, que diz respeito aos caminhos táticos das estratégias adotadas por quem se propõe a conduzir nossa luta contra a classe inimiga.
PretaSaudaçõeSocialistaS
Gas-PA
20-05-2014





quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Nota da Frente Independente Popular - PE sobre a morte de Eduardo Campos


sobre a morte de Eduardo Campos


Em janeiro deste ano, o cinegrafista da rede Bandeirantes, Santigo Andrade, morreu em um protesto no Rio. Santiago foi atingido, acidentalmente, por um fogo de artifício lançado por manifestantes contra os policiais. Os jovens Caio e Fábio estão presos, desde então, acusados de assassinarem (intencionalmente) o cinegrafista. Os policiais responsáveis pelas mortes nos protestos de junho, esses obviamente seguem soltos.

A morte de Santiago Andrade foi exaustivamente utilizada pelos monopólios de comunicação, em particular pela rede Globo, com o objetivo de criminalizar e esvaziar os protestos contra a Copa. A morte do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, de maneira semelhante, está sendo explorada pelos monopólios, agora, com o intuito de aumentar a participação do povo nas eleições.

Depois de junho, "nunca antes na história desse país" o boicote eleitoral ameaçou tanto as eleições farsantes, legitimadoras dessa falsa democracia burguesa. Depois do espectro do “não vai ter copa”, é o fantasma do “não vai ter voto” quem mais amedronta as classes dominantes. As próprias pesquisas manipuladas por seus institutos apontam assustadores índices de abstenção e votos nulos e brancos. Curiosamente, a rejeição ao processo eleitoral cresce na mesma proporção dos altíssimos gastos de campanha, nunca um voto custou tão caro no Brasil.

A campanha do TSE conclamando os jovens a irem para as urnas já está derrotada pelo índice recorde de adolescentes de 16 e 17 anos que não tiraram o título para votar esse ano. A rebelião da juventude acontece como fenômeno mundial, agora mesmo, assistimos o levantamento combativo dos jovens negros nos EUA, cenas parecidas com as do Rio de Janeiro. Para as classes dominantes desviar essa energia revolucionária para a farsa eleitoral é fundamental.

A comoção criada em torno de uma morte trágica, "de um jovem político, pai de 5 filhos", está sendo habilmente manipulada para romper a apatia com o processo eleitoral. O mesmo Wiliam Boner, que na noite anterior ao acidente em Santos, havia acusado Campos de nepotismo, na noite seguinte, se derretia em elogios ao político pernambucano. Mais uma morte comemorada nos bastidores dos monopólios de comunicação.

Transcorrendo normalmente as atuais eleições, Eduardo Campos dificilmente ultrapassaria os 15% dos chamados votos válidos e muito provavelmente amargaria a derrota de seu candidato, Paulo Câmara, para a sua sucessão no governo do estado. Segundo a última pesquisa do Ibope, mesmo em Pernambuco, Campos perdia em votos para Dilma, que o ultrapassava em significativos 10%. Com os últimos acontecimentos, certamente o pleito será decidido em um segundo turno e, possivelmente, diminuirá os índices de boicote. Tanto para os que almejam dar mais legitimidade a esse processo farsante, como para aqueles que aspiram assumir o lugar do PT no velho Estado, Eduardo Campos vale mais morto do que vivo.

Ao povo, não interessa muito esses cálculos. Nessas eleições ganhe quem ganhar as massas só têm a perder. Entendemos a comoção dos brasileiros, em especial dos pernambucanos, com a morte de Campos. Essa comoção existe independente da manipulação dos monopólios que, na verdade, procuram é direciona-la. O povo é solidário, se emociona com a tragédia dos acidentes. Em sua vida de desengano, de expectativas frustradas, as pessoas tendem a acreditar que a sua última esperança estaria naquele que morreu. Assim aconteceu na morte de Tancredo Neves, de Ulisses Guimarães, no suicídio de Getúlio Vargas. É a fantasia de uma esperança que se torna mais forte com a ausência do que com a presença. Os mortos não erram mais, por isso Campos permanecerá no inconsciente coletivo, por certo tempo, como aquilo que poderia ter sido e não pelo que de fato foi. Só as futuras lutas revolucionárias poderão erguer novos mitos coletivos que destronem os ícones do passado.

Não temos o que dizer da vida pessoal de Eduardo Campos, não o conhecemos neste ambiente. O que podemos falar é do político, do governador que reprimiu violentamente a juventude em luta pelo passe livre e como candidato teve a cara de pau de prometer esta bandeira aos estudantes de todo o Brasil. Muitos secundaristas foram presos, um universitário foi parar no presídio, sua PM impediu os manifestantes de pisarem na rua no último 7 de setembro, antecipando o resgate da tática nazista do "envelopamento" adotada pelas PMs de SP, RJ e MG durante a Copa.

Conhecemos o governador que removeu centenas de famílias para as obras da Fifa, que bancou a construção de um luxuoso estádio de futebol numa cidade onde já existiam três. Um governador que proibiu a organização de grêmios estudantis nas escolas e cancelava as aulas sempre que havia manifestação pelo passe livre. Fascismo.  Esse é o político apresentado agora como inovador, como símbolo da renovação na política brasileira. Renovação dos quadros da reação, apenas.

Marina Silva, também, é apresentada como a nova política e parte da juventude de junho ainda alimenta está ilusão. Por debaixo do discurso ambientalista há muita água podre. Só o fato de ter assumido a vice de Eduardo é indicativo disso. Marina foi ministra de Lula, saiu de seu governo porque foi preterida para que Dilma fosse a candidata a sucessão. Aparenta um discurso inovador, mas é extremamente conservadora, é contra a descriminalização do aborto e o casamento homoafetivo. Sempre defendeu, dentro do PT, a aliança com o PSDB, dobradinha que foi costurada e colocada em prática por ela no Acre, seu estado de origem. Marina, também, é farinha do mesmo saco.


Nos solidarizamos com os sentimentos de tristeza de nosso povo, mas denunciamos a manipulação das mortes feita pelos monopólios de comunicação, por agremiações políticas, marqueteiros e candidatos que querem aproveitar-se da tragédia seviciam-se dos corpos para auferir votos e vantagens pessoais na farsa eleitoral. Não depositamos expectativas de que Marina Silva ou qualquer outro candidato nesse pleito. Nossa esperança está na luta, na construção da revolução que o nosso país precisa.

Quem Foi Pras Ruas, Não Vai Pras Urnas! Viva a Revolução!
Não Vote, Lute Pela Revolução!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Liberdade ao prof. Saibaba

Ativistas da FIP-PE na ocupação do cais José Estelita.
Com informações do jornal A Nova Democracia.

Nós ativistas da Frente Independente Popular de Pernambuco manifestamos nosso repúdio a prisão arbitrária pelo Estado Indiano do Prof. Dr Saibaba no dia 9 de maio e nos somamos a campanha internacional pela sua liberdade. Dr. Saibaba é um firme ativista dos direitos do povo que tomou parte nas campanhas de solidariedade à resistência na Palestina e no Iraque; nas lutas do povo para a autodeterminação na Caxemira e nos estados do nordeste da Índia.

Artigo de: http://www.anovademocracia.com.br/no-131/5359-india-liberdade-para-o-professor-saibaba

domingo, 18 de maio de 2014

Nota da FIP (Praieira) sobre os saques em Pernambuco




A greve da PM abalou Pernambuco, não por sua extensão ou radicalidade, mas pela resposta popular à ausência de “autoridade”. Na quarta-feira, 14 de maio, após um protesto contra mais uma morte, por atropelamento, na BR-101 norte, populares saquearam as grandes lojas no centro de Abreu e Lima. No dia seguinte, as cenas de saque se repetiram nas periferias da cidade. Mesmo depois do fim da greve dos policiais, lojas foram arrombadas em São Lourenço da Mata, “a cidade da Copa”.

Os jornais impressos e televisivos, dos monopólios de comunicação, foram unânimes em seus adjetivos: “criminosos”, “vândalos”, “vergonha”. Cobram a punição exemplar e rigorosa dos “saqueadores”, exigem a recuperação das mercadorias “roubadas”, cobram apoio do governo aos comerciantes prejudicados. Cumprem o papel da imprensa burguesa e defendem com firmeza os interesses de seus maiores anunciantes: Eletroshopping, Bom Preço e Insinuante.

Por traz do discurso moralizante, envergonhado, que destaca a cena de uma mãe que devolve o pertence saqueado pelo filho, está a intenção de apresentar o povo como bandido. Esta imprensa faz isto todo dia, do Jornal “Nacional” aos Cardinots da vida, são os mesmos que chamam a juventude combatente de vândala e baderneira.

No twiter da Rocam, ao anunciarem o fim da greve, postaram: “quem roubou, roubou, quem não roubou não rouba mais”. Grande mentira, no Brasil se rouba todo dia, o imperialismo saqueia nossas riquezas, a burguesia assalta a classe operária e o latifúndio assassina os camponeses, e tudo isto com a proteção da polícia. Chamam o povo de covarde por só saquearem em dia de greve, covardes são eles que para seguir espoliando o nosso povo precisam, cada vez mais, da proteção policial.


O povo não deve envergonhar-se. Ainda está presente em nossa memória os saques dos sertanejos, nos períodos de seca, quando o povo abandonava seus cantos para requisitar do comércio o necessário para viver. “Mas não existe fome na região metropolitana”, contestará alguém. Ledo engano, passa-se fome sim nas cidades brasileiras. Uma grande parte de nossa população não se alimenta direito, até o feijão está faltando a mesa. Ou para utilizar o exemplo do grande cientista Josué de Castro que dizia que a fome no sertão é epidêmica (episódica) e na zona da mata é endêmica (cotidiana).


“Mas não roubaram só comida”, responderia outro. É verdade, muito se saqueou de utensílios domésticos. No entanto, as emissoras que hoje se escandalizam com o saque de geladeiras e máquinas de lavar, são as mesmas que vendem a ideia de que bens de consumo traz felicidade. Pois é a fome destes bens que o povo está matando.

Se diz violento o povo que saqueia, mas não se vê violência na carência absoluta das coisas. Imaginem uma mãe de família que vai ao supermercado, todos os meses, com a filha, inúmeras mercadorias expostas, coisas bonitas, gostosas, que ela nunca poderá comprar, mas todos os meses é obrigada a encarar como símbolo de sua derrota nesta sociedade de consumo. Não seria violento isto? Ou o pai, que assiste TV com o filho, e a todo instante comerciais sobre a maior televisão do mercado, do celular mais fuderoso da cidade, coisas que ele nunca poderá comprar. A barragem estourou e este ódio contido, por vezes resignado, arrastou tudo que encontrou pela frente.

Não foi a primeira greve da PM em Pernambuco, nem mesmo a mais extensa. Recentemente, na Bahia, ocorreu uma longa greve de policiais. Mas nunca havia se registrado esta onda de saques. Isto é motivo de terror para os exploradores. O velho Estado reacionário está falido, desmoralizado, sem a mínima autoridade. Quem são os políticos, os juízes e os policiais para dizer que é imoral saquear? Logo eles, que assaltam os cofres públicos e os cidadãos todos os dias. Aí está a “democracia e o direito” que a burguesia tem a nos oferecer: a democracia com tanques nas ruas, com tanques do exército protegendo o Carrefour da Imbiribeira e a Copa do Mundo da Fifa.
O apodrecido Estado, cada vez mais, revela sua essência: a violenta repressão contra o povo. Não existem princípios “universais e humanos” que coesionam esta sociedade, basta faltar a polícia para este mundo desagregar. Isto revela que a força repressora e assassina é o serviço essencial que o velho Estado tem a nos oferecer. Que sociedade é esta que necessita reprimir sua população para continuar existindo? O povo não respeita as leis, porque estas são feitas contra o povo, e porque os primeiros a desrespeita-las são os mesmos políticos imorais que as criaram.

A insegurança, o medo sentido e difundido durante a última semana, sem dúvida alguma será utilizado pelas tendências fascistas que aplaudem o exército nas ruas. Mas isto não é novidade, este já é o caminho trilhado pelas classes dominantes com PT à cabeça. O novo é a crescente revolta popular. Os saques não representam uma perspectiva revolucionária de solução para a opressão, mas são a imagem espetacular da fúria do povo que, apesar de espontânea, se levanta, em diferentes momentos, contra símbolos desta sociedade decadente: as lojas, os ônibus e os bancos. Na cidade de Toritama, polo têxtil do agreste, populares destruíram a prefeitura e apedrejaram a casa do prefeito.

É nesta fúria, nesta revolta, onde depositamos nossas esperanças. É este povo massacrado, pisoteado mil vezes, o único capaz de transformar nosso país. Os reacionários e os desavisados choramingam alguns produtos saqueados. Para sermos sinceros, é muito pouco ainda. A burguesia e o latifúndio devem muito mais ao nosso povo trabalhador. Mas este acerto de contas será mais profundo e prolongado.

A rebelião é justa! 

Os saqueadores de Abreu e Lima-PE
https://www.youtube.com/watch?v=TsixRLfH0nk
 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Nota em apoio à Frente Independente Popular do Rio de Janeiro




Saudações às valentes companheiras da FIP-RJ!
Saudações aos destemidos companheiros da FIP-RJ!
Um salve para toda juventude combatente!

A FIP do Rio é um exemplo para a juventude do Recife. Quando os protestos diminuíram a sua potência no segundo semestre de 2013, foram os companheiros da FIP-RJ que mantiveram a bandeira erguida e a fogueira de junho acesa. Desde a final da Copa das Confederações, em julho, os protestos prosseguiram, mesmo menores. Esta persistência foi fundamental. Devido a esta persistência aconteceram as marcantes manifestações do 7 de setembro, que interrompeu o desfile militar, e em outubro em apoio à greve dos professores.

Esta decisão de não sair das ruas inspirou as manifestações de Recife em agosto, setembro e outubro. E certamente, as lutas do Rio colaboraram para o reimpulsionar da luta em São Paulo e Porto Alegre. Após a morte do cinegrafista Santiago e a cruzada fascista da mídia marrom, a FIP se levantou corajosamente contra a perseguição e se manteve na luta. 

No dia 1º de abril, a FIP-RJ enfrentou o batalhão de choque na frente do Clube Militar. Pedras e tinta vermelha foram lançadas contra a fachada do clube de oficiais da reserva que anualmente celebram os regimes dos torturadores. Na mesma noite, a sede do PSTU teve uma vidraça de sua sede quebrada. Imediatamente, apontaram seus dedos duros contra a FIP-RJ e o MEPR acusando-os de responsáveis pelo ato. Acusação leviana e irresponsável, contra movimentos perseguidos pelo velho Estado reacionário. Publicam uma nota nacional com estes ataques e não citam sequer o nome das pessoas que teriam identificado como autores do ataque. Depois postaram um vídeo, onde dizem comprovar a autoria. Com imagens do circuito interno do prédio da sede deles, colocam uma legenda dizendo que um rapaz se identificou como “André da FIP”. 

Em suas próprias imagens, não há ninguém com faixa, bandeira ou adesivos da FIP ou do MEPR. Baseados em que fazem está tão grave acusação? No vídeo publicado no dia seguinte o PSTU não se refere mais ao MEPR. Quer dizer que concluíram que este movimento não participou da ação? Por que não se retratam e pediram desculpas a este movimento? Ao contrário, ainda exigiram da FIP-RJ e do MEPR notas em defesa do PSTU. Seria irônico se não fosse trágico, acusam os movimentos de fascistas e depois cobram destes mesmos notas de solidariedade?

 “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.” A repetição dos ataques à juventude combatente. Em outubro, o eterno candidato do PSTU, postou no twiter: “chega de Black blocs”; este mesmo partido propôs na assembleia dos professores em greve uma moção de repúdio aos jovens de preto. O resultado? Foram massivamente rechaçados pelos educadores que agradeceram a proteção dos jovens contra a agressão policial. Após a morte do cinegrafista da rede Bandeirantes, rapidamente se apressaram em declara à rede Globo, que o PSTU foi o primeiro partido a criticar publicamente os Black blocs. Agora, mais uma vez somam-se no ataque à juventude lutadora, a FIP-RJ, jogando água no moinho da reação. 

Afirmam que não dão um “cheque em branco” para a FIP-RJ e aos Black Blocs. Como se a juventude brasileira precisasse de alguma garantia por parte destes oportunistas para seguir a luta contra a copa. Falam em “democracia operária” mas impediram que companheiros da FIP entrassem no SINPETRO, inclusive petroleiros filiados a este sindicato, pra tentar defender a FIP das acusações (http://vimeo.com/91437000). 

Em Recife no dia 1 de abril a FIP participou do ato promovido pela APAP –Associação de Pernambucana de Presos e Anistiados Políticos- juntamente com outros partidos e organizações, incluindo o PSTU. Após ato na Praça do Diário a FIP-PE saiu em manifestação pelas ruas do Recife se dirigindo ao hospital do exercito, local onde eram presos e torturados os opositores do regime militar. Durante a manifestação o estudante Elvis Magalhães, que cobria o ato foi preso pelo exército e levado para as dependências desse quartel. Diante de tão grave violação de direitos, o PSTU não manifestou qualquer solidariedade.

Por fim, vemos com muita preocupação o fato do PSTU ter registrado queixa na delegacia sobre o ocorrido, inclusive envolvendo o nome de companheiros e de organizações. Tal fato é muito grave, é reconhecer a polícia, a mesma que persegue, reprime e assassina diariamente o povo, como mediador legítimo do conflito. É dar a repressão a senha que ela precisa pra criminalizar os movimentos populares mais combativos dos Rio.

 Abaixo os ataques levianos e mentirosos contra a juventude combatente!
Não vai ter Copa!
Rebelar-se é justo!